O espaço da sacerdotisa, Mãe Menininha

Não sei dizer como fizeram Santo em mim, porque eu era muito criança. Você me desculpa mas isso é segredo da seita. Quando os meus me botaram no santo eu tinha oito meses, não tinha irmã de sangue, nunca tive. A minha confirmação como mãe-de-santo é uma história longa.

Maria Helena - Diretora do Museu

Morrendo minha avó Júlia, sucedeu-a Pulchéria, depois minha mãe, que durou pouco, só dois anos. Mas ela já vinha exercendo a função junto com Pulchéria. Porque há sempre uma ou duas pessoas a ajudar a Iyalorixá. Quando minha mãe morreu, eu deixei de vir ao Gantois. Era mocinha, vivia com ela e ela morrendo afastei-me. Mas, em fevereiro de 1922, numa missa por Pulchéria, que era minha madrinha e tia, os orixás quiseram logo escolher quem ficaria tomando conta da casa. E me aconselharam. E Eles mesmos me deram posse, não foram pessoas não. Primeiro foi Oxossi, depois Xangô, Oxum e Obaluaiê. Eles que me deram esse cargo de felicidade que estou ocupando até o dia em que Deus quiser e Oxalá"

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Obras selecionadas

Joias de Axé (Fios de Conta em Miçangas e Cristal, Murano, Cerâmica em ouro, Seguis e Âmbar) e Correntões e Colares de Crioula
Joias de Axé (Fios de Conta em Miçangas e Cristal, Murano, Cerâmica em ouro, Seguis e Âmbar) e Correntões e Colares de Crioula

Joias de Axé (Fios de Conta em Miçangas e Cristal, Murano, Cerâmica em ouro, Seguis e Âmbar) e Correntões e Colares de Crioula

O significado da joalheria para o Povo do Santo - o povo do Candomblé - amplia-se em sentido simbólico nas cores, nos materiais, nas formas, na estética, quando confeccionados por povos africanos ou por artesãos que seguem técnicas e estilos reconhecidos como afrodescendentes.

Um fio de miçangas, um colar de ouro ou de prata de lei filigranado, um colar de corais entremeados com bolas de ouro e aplicações, chamadas de confeitados; laguidbá, segui, monjoló, âmbar, entre tantos outros materiais, representam os orixás e os diferentes papéis sociais no Candomblé.

Cada objeto de adorno, nesse contexto sagrado, tem um sentido específico, uma realização estética, unido ao ideal e ao princípio de cada orixá

Adjás e Abebés
Adjás e Abebés

Adjás e Abebés

Adjás:

O som para o Candomblé representa o contato mais direto com o sagrado, com a ancestralidade, com o orixá. Cada fonte sonora tem uma identidade, um sentido, uma linguagem que é conhecida e praticado para cada ritual. É uma ação pessoal e, também, uma ação coletva.

O adjá é um instrumento musical idiófono, construído com folho metálico. Tipo de sineta que tem uso especial nos santuários - pejis - e, publicamente, para o contato com os orixás, um instrumento de mando e de poder no Candomblé.

Abebés:

Tradicionalmente feito de folha metálica, esse objeto recebe incisos, gravações, impressões em baixo-relevo; complementos como guizos e búzios, que trazem os imaginários das Yabás - orixás relacionados com as águas do mar e dos rios.

O abebé é um objeto que integra os pejis e as indumentárias de orixá, tendo função litúrgica durante as danças rituais do Candomblé.

Saias em artigos diversos / Anágua em tecido branco
Saias em artigos diversos / Anágua em tecido branco "pele de ovo" bordado / Caixa de jóias em madeira forrada com tecido contendo ides, pulseiras em marfim e metal, fios de contas / Búzios / Invólucros de perfume e talco

Saias em artigos diversos / Anágua em tecido branco "pele de ovo" bordado / Caixa de jóias em madeira forrada com tecido contendo ides, pulseiras em marfim e metal, fios de contas / Búzios / Invólucros de perfume e talco

Indumentária religiosa composta de Bata / Conjunto de Colares e Fios de Contas
Indumentária religiosa composta de Bata / Conjunto de Colares e Fios de Contas

Indumentária religiosa composta de Bata / Conjunto de Colares e Fios de Contas

O modelo tradicional do Candomblé baiano reúne imaginários do Africa Ocidental, do África Mogreb - Muçulmano, e de uma forte e evidente estéfica barroca.

A renda, o crivo, o labirinto, o bordado, destaque para o richelieu, juntamente com amplos saias, anáguas engomadas e a exuberância da joalherio dão volume e reafirmam uma estética afrobarroca no Candomblé.

Entre os complementos estão os panos da costa e os chinelos à mourisco - changrim.

Os significados das texturas e dos cores dão a identificação para a indumentária do cofidiano, para as dos dias das festas, e dos tipos de festas. Para Oxaló, é totalmente branco; para Xangô, há uma predominância do vermelho e do marrom. Bem como, para Oxum, o amarelo e o dourado.

Indumentária religiosa composta de Saia em cetim, Camisa de Crioula em richelieu, Bata de Cambraia bordada e bico, Alaká (Pano da Costa) e Laguidbás com monjolos, búzios, coral e murano / Alakás (Panos da Costa) / Foto da Cerimônia das Quartinhas de Oxossi de1902 e Quartinha dessa cerimônia
Indumentária religiosa composta de Saia em cetim, Camisa de Crioula em richelieu, Bata de Cambraia bordada e bico, Alaká (Pano da Costa) e Laguidbás com monjolos, búzios, coral e murano / Alakás (Panos da Costa) / Foto da Cerimônia das Quartinhas de Oxossi de1902 e Quartinha dessa cerimônia

Indumentária religiosa composta de Saia em cetim, Camisa de Crioula em richelieu, Bata de Cambraia bordada e bico, Alaká (Pano da Costa) e Laguidbás com monjolos, búzios, coral e murano / Alakás (Panos da Costa) / Foto da Cerimônia das Quartinhas de Oxossi de1902 e Quartinha dessa cerimônia

Trono usado por Mãe Menininha do Gantois em madeira e pintura a ouro recoberto por um Alaká (Pano da Costa) Tela de Carlos Bastos
Trono usado por Mãe Menininha do Gantois em madeira e pintura a ouro recoberto por um Alaká (Pano da Costa) Tela de Carlos Bastos

Trono usado por Mãe Menininha do Gantois em madeira e pintura a ouro recoberto por um Alaká (Pano da Costa) Tela de Carlos Bastos

Conhecido tradicionalmente como pano de alaka, os panos preteridos na Bahia são os feitos na Atrica Ocidental, em teares artesanais.

O tradicional tecelão Alexandre produziu, em Salvador, no final do século 19 e início do 20, os panos da costa, para o Gantois, com a mesma técnica africana. Esse ofício teve continuidade com o seu afilhado Abdios do Sacramento Nobre, Mestre Abdias.

A técnica consiste em tecer faixas, que são costuradas posteriormente, formando, assim, padrões especiais, que normalmente seguem as cores simbólicas dos orixás.

Os panos são tecidos com fios de algodão, fios de seda e de caroá. Sendo o seu uso predominantemente feminino. Tem, também, a função de distinguir o papel social e hierárquico no Candomblé.

Painel com fotografias diversas de Mãe Menininha do Gantois (imagens cedidas)
Painel com fotografias diversas de Mãe Menininha do Gantois (imagens cedidas)

Painel com fotografias diversas de Mãe Menininha do Gantois (imagens cedidas)

Fotografia comemorativa dos 90anos de Mãe Meniniha do Gantois – por David Glat
Fotografia comemorativa dos 90anos de Mãe Meniniha do Gantois – por David Glat

Fotografia comemorativa dos 90anos de Mãe Meniniha do Gantois – por David Glat